terça-feira, 16 de julho de 2013

Peso.

Depois de tanto tempo.
Me vejo, e percebo o fardo que carrego.
Fardo que criei, que mereci,
nascido de meus erros e precipitações.

Depois de tanto tempo.
Vejo o peso em meus ombros,
as dores e perfeições,
que me fiz suportar.

Depois de tanto tempo.
Percebo o quão fútil fui.
E o quão errado e fraco é,
se forçar a assumir ideais que não te pertencem.

Depois de tanto...
...Me arrependo de me quebrar,
sendo fraco por aceitar,
Mudar quem sou por quem, nem enxergava o eu dentro de mim.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ondas

Com olhos de ressaca, vejo a vida passando como projeções por meus olhos.
Quantos erros. Quantos risos. Quantos fios soltos e laços quebrados. Quanta alegria e quanta tristeza.
Quanta nostalgia.
É esse ciclo de falhas e acertos , que como o mar, tem seus altos e baixos, uma onda após a outra. Ambos conseguem enjoar, mas o passeio como um todo é agradável, só se precisa saber onde, como e quando olhar. De vez em quando, num momento especial, é possível ver o sol afundando, calmamente, entre o grande azul interminável. Um minuto de paz, de calmaria, que precede às ondas que voltam novamente.
Pequenos momentos de felicidade, cristalizados em memórias, que amortecem o gosto agridoce que o passado consegue deixar na boca.

sábado, 13 de julho de 2013

Miragem

Perdido em minhas ilusões,
te achei, e deslumbrei-me com tal visão.
Criei miragens de amor que me salvaram,
do deserto de minha solidão.
Mas miragem como era, logo se foi.
Tentei prendê-la, mas foi em vão.
Escapou por entre as falhas, escondidas até então.
Bebi do rio de presunções, e me afoguei,
em minhas próprias suposições.
E agora, aqui estou.
Mais uma vez perdido em desilusões.
Com sede de ti.
E desejando algo que sei,
que está além do alcance.
Longe de minhas mãos.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Asas Quebradas

Sou assim.
Pássaro que desaprendeu a voar.
Peixe que se afoga n'água.
Árvore da qual, os frutos escapam.

Com asas quebradas de cansaço.
Com voz rouca de sentimento.
Pele suja de sangue e tinta.
E mãos, de poesia.
Me apago e me reescrevo diariamente, constantemente, inevitavelmente.
Acerto pontuações, corrijo a ortografia, coloco vírgulas.
Em mim mesmo.
Em todo mundo.
Mania de perfeição.

Suponho que a validade venceu.
Desta casca que chamo de "eu".
Irei eu me transformar e sair como uma nova forma de mim mesmo e desbravar novamente o azul dos céus?
Não sei.
Pois as penas caídas e as asas quebradas ainda me doem.
O medo ainda me fere a alma.
Medo de cair e não ter forças de me sustentar em pé.
Medo de que no fim do caminho, não haja nada.
Medo de que esse eu esteja rachado além do concerto.
Medo de que as asas sejam apenas isso.
Um punhado de ossos e sonhos quebrados.
Além do uso; Além do concerto.
Além do alcance.
De minhas mãos manchadas de tempo e poesia.

Caminhada.

Ando por aqui.
Há quanto tempo? Já nem sei.
Sei que ando, que sempre andei.
Olho pelos ombros e vejo o caminho percorrido e me lembro de cada sinuosidade através dele.
Sei que ando.
Sei que vi.
Vidas, sorrisos, lágrimas, esperanças, mortes.
Sei que andei.
Por ruas, vielas, estradas, avenidas.
Pelo próprio tempo, se me pergunta.
E sei que agora, no final da jornada,
Minhas costas doem e meus pés reclamam.
Sei que vi e sei que mudei.
Me transformei conforme vivi.
Me transformei pelo o que vi, ouvi e senti.
Hoje, quem fui já nem me lembro.
Hoje, só sei quem sou.
Sou o vento, a água, o mundo e as pessoas nele.
Sou inconstante.
Sou o próprio tempo.
Sou as palavras não ditas.
O choro engolido.
O riso contido.
Sou tudo e sou nada.
Apenas um grão de areia na beira da praia.
Vislumbrando o azul sem fim, e as ondas que quebram.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Adeus.

Oi como está?
Bem, espero.
Há quanto tempo faz, desde que nos falamos pela última vez?
Sim, eu entendo, esperar por respostas que não virão é inútil, mas mantenho a fé,
de que, um dia,
mesmo que por um instante, venhamos a nos encontrar.
E ao vislumbrar uma vez mais seu rosto, e o brilho de teu sorriso.
Terei enfim, cumprido todos os meus desejos, pois nada é mais perfeito ou belo.
Do que tua imagem reluzente, banhada pela felicidade.
Amaldiçoo minha própria ignorância, porque não aproveitei mais? Porque não aproveitei cada segundo e cada instante do qual passei contigo? Porque não gravei cada parte de ti em mim?
Suponho que tudo sejam apenas desejos sem forma voando longe, ao horizonte como borboletas ao vento.
Me desculpe. E saiba que eu não te culpo.
E saiba que te esperarei, por quanto tempo precisar.
Por eternidades e séculos a fio. Por diversas vidas, através do próprio tempo.
E não chore, pois isso me enfraquece o coração.
Só me lamento por não poder ver, seu sorriso e seus olhos brilhando radiantemente. Por não sentir seus lábios nos meus. Por não poder senti-la, a minha outra parte que me completa.
Mas agora vou. E como disse, te esperarei.
Não tenha pressa, viva e seja feliz.
Mas por hora, acho que não há escapatória.
Não me esqueça, mas não viva no passado.
Renove-se a cada dia e sorria sempre, por mais pesado que seu coração esteja. Por mais insignificante que pareça o motivo.
Seja forte e continue lutando, sempre. Estarei torcendo por ti, como sempre fiz.
Estarei sempre contigo, dos cantos, observando-te.
Mas agora vou indo.
Te amo e sempre amarei.
Adeus.

Tudo é um.

 Lembro-me de que quando criança, um dia perguntei a minha mãe porque o céu era azul. Ela, depois de pensar, respondeu-me com um rosto banhado em paciência: "É azul porque é". Não me contentei e perguntei novamente dizendo que aquilo não era resposta. Agora, não com tanta paciência como antes, respondeu-me: "É azul porque Deus fez assim. E ponto final."
Deparei-me num beco sem saída, a resposta não me contentava, mas julguei que não poderia contestar algo feito pelo próprio Deus, e calei-me de minhas incertezas.
Hoje, lembrando-me disso, ri e vi.
Que mesmo quando criança percebi, que quando pressionado, as pessoas tendem a culpar outras coisas por suas infelicidades, e logo, o divino. Mas seria o divino tão culpado assim? E aliás, o que é divino?
Depois de muito me perguntar, cheguei à uma resposta que me satisfez  por hora "Divino é tudo aquilo que é irredutível de incertezas, aquilo que é tido como universal, independente do tempo ou forma com a qual é vista". Pode não ser a resposta certa, mas é a que achei, e a que me satisfez. Mas quem me garante que essa resposta seja certa? E quem me garante que não seja?
Ninguém.

A vida é estranha.
Aliás, viver é difícil e estranho.
Sei que eu particularmente, não entendo a vida ou a mim mesmo em alguns dias, dependendo de como acordo.
Me olho no espelho e não reconheço a face ali refletida.
Olho cada forma, cada sinuosidade, e pergunto"Esse sou realmente eu? Sou quem fui ontem ou quem serei amanhã? Quem sou eu hoje?".
Nem sempre tenho repostas para as dúvidas que me afligem e talvez esse seja o pior castigo para o homem: Não saber.
Durante o tempo, pode-se ver que, muitas são as dúvidas, e nenhuma é mais relativamente importante ou de maior gravidade que a outra, pois como os sábios já diziam "As verdades são questão de quem as vê, e da forma como ele as olha". E na realidade o mundo também é assim. Uma verdade distorcida pelo ângulo no qual se olha. Como uma pintura que te segue com os olhos conforme se anda pelo quarto.
Deparei-me ainda a pouco com um pensamento que quase me fugiu à percepção: Não existe uma verdade universal, pois não existe dois pontos iguais em duas pessoas diferentes. As verdades mudam conforme a percepção de quem as enxerga, conforme as diferentes pessoas, que afligidas, como eu, por dúvidas sem resposta, formulam e assumem suas próprias idealizações como verdades. Então na realidade, nada é comprovado de toda veracidade, pois sua confirmação depende da capacidade de crer de outrem.
E na realidade, tudo é assim, pequenos devaneios de mentes conflituosas, que são assumidos como revelações, que são assumidos como verdades. Com o passar do tempo, também absorvemos tais conceitos e acabamos por dar  divindade, aquilo que um segundo atrás era apenas uma loucura, um devaneio, um pensamento.
Pois, o ser humano é visual, e incrivelmente dependente, assim como, constantemente temeroso. Teme estar só, e assim vive em conjunto, teme a morte, e assim, cria planos e dimensões para onde supõe que vá quando a fatídica hora chegar. Mas mais do que tudo, teme não saber, e assim, passa sua existência inteira buscando por um conhecimento que provavelmente nunca alcançará.
E essa é a beleza da vida. Correr atrás de sonhos que como fumaça, escapam por nossos dedos nos fazendo assim correr mais rápido para alcançá-los. Perseguir ideias e verdades irredutíveis, que em suas próprias frações de mentiras, se tornam divinas, e assim, universais . Procuram sentido, procuram algo que muitos poucos conseguem enxergar. Porque procuram sem procurar.
Pois o homem não quer realmente responder as perguntas que lhe afligem, pois ao se sanar uma dúvida, como as cabeças de uma Hidra, duas nascem no lugar da primeira. Esse é o temor humano. Ser sufocado por suas incertezas. Ver o real aspecto daquele que se reflete no espelho. Descobrir e não gostar do segredo. Se decepcionar.
Pois é isso o que acontece quando esperamos muito de algo. Decepção, e com ela o peso que nos fere a alma.
E assim, refleti e cheguei a minha própria resposta para a pergunta  que fiz a minha mãe a tanto tempo atrás: O céu é azul pois assim desejamos. O céu é azul porque após muito pensar, o homem decidiu que assim seria. Pois o mundo e a forma como ele gira, nada mais é do que uma reflexão de nós mesmos. Uma reflexão estranha e distorcida, que não reconhecemos  no instante em que a vemos.
Pois de certa forma, em suas irrelevâncias e dúvidas o homem é irredutível.
Pois no final, todos somos pequenas partes de um quadro bem maior. Pequenas irredutividades de um grande sistema. E do fogo ao fogo, e do pó ao pó.
Pois um é tudo e tudo é um.

Verdades Irrefutáveis


O mundo é composto de verdades irrefutáveis. Verdades essas que servem como “pilares”, verdades essas que nem sempre são tão verdadeiras.
O mundo nada mais do que um punhado de sonhos e crenças, juntos e mesclados, como um gigantesco quebra-cabeça que dá a luz ao que chamamos de realidade. Mas, o que é real, e o que não é?
O mundo é do jeito que queremos que ele seja. O mundo é uma projeção de nossas próprias consciências mescladas, formando-o do jeito que ele é. O mundo tem maldade, pois a nosso ver, mesmo que subconscientemente, é preciso de algo a que temer, é preciso de uma força para se opor ao bem, pois se tudo fosse flores, não haveria sentido em viver, certo?
O mundo é feito de verdades irrefutáveis. Não. O mundo é feito de mentiras irrefutáveis, coisas às quais nos prendemos, coisas às quais temos a necessidade de nos prender para que a vida faça sentido, para que o mundo faça sentido, para que a realidade continue estável e funcionando, pois a vida é como uma máquina e as pessoas são as engrenagens que fazem a máquina funcionar, ou pelo menos, é isso que dizemos a nós mesmos. Outra mentira irrefutável, presumo.
O mundo é feito de verdades mentirosas que podem parecer irregulares e estranhas, porém ninguém as nega.
Quando se acredita em algo, com todas as forças, com todo seu ser, aquilo, por mais errôneo ou irreal que possa parecer, se transforma em parte da realidade, ao menos pra você. Enquanto continua-se acreditando naquilo, aquilo continua a ser real, mesmo que para outros, não passe de bobagem. E assim Deuses nascem, e assim o mundo é criado, e assim, continuamos como jogadores no jogo que chamamos de vida.
Mas, o que aconteceria se começássemos a duvidar da realidade? O que aconteceria se, aquilo que a um minuto fazia sentido, no seguinte se provasse totalmente errado? O que aconteceria se as verdades irrefutáveis fossem subjugadas e provadas mentiras?
Quando se duvida de uma verdade, uma parte da realidade se desmancha. Quando se duvida da realidade, uma parte da lógica se desfaz. Quando se duvida, a realidade quebra. Com a dúvida vem o caos e a desordem. Com a dúvida, o mundo acaba.
Afinal, o mundo é feito de verdades irrefutáveis.