Sou assim.
Pássaro que desaprendeu a voar.
Peixe que se afoga n'água.
Árvore da qual, os frutos escapam.
Com asas quebradas de cansaço.
Com voz rouca de sentimento.
Pele suja de sangue e tinta.
E mãos, de poesia.
Me apago e me reescrevo diariamente, constantemente, inevitavelmente.
Acerto pontuações, corrijo a ortografia, coloco vírgulas.
Em mim mesmo.
Em todo mundo.
Mania de perfeição.
Suponho que a validade venceu.
Desta casca que chamo de "eu".
Irei eu me transformar e sair como uma nova forma de mim mesmo e desbravar novamente o azul dos céus?
Não sei.
Pois as penas caídas e as asas quebradas ainda me doem.
O medo ainda me fere a alma.
Medo de cair e não ter forças de me sustentar em pé.
Medo de que no fim do caminho, não haja nada.
Medo de que esse eu esteja rachado além do concerto.
Medo de que as asas sejam apenas isso.
Um punhado de ossos e sonhos quebrados.
Além do uso; Além do concerto.
Além do alcance.
De minhas mãos manchadas de tempo e poesia.
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