Ando por aqui.
Há quanto tempo? Já nem sei.
Sei que ando, que sempre andei.
Olho pelos ombros e vejo o caminho percorrido e me lembro de cada sinuosidade através dele.
Sei que ando.
Sei que vi.
Vidas, sorrisos, lágrimas, esperanças, mortes.
Sei que andei.
Por ruas, vielas, estradas, avenidas.
Pelo próprio tempo, se me pergunta.
E sei que agora, no final da jornada,
Minhas costas doem e meus pés reclamam.
Sei que vi e sei que mudei.
Me transformei conforme vivi.
Me transformei pelo o que vi, ouvi e senti.
Hoje, quem fui já nem me lembro.
Hoje, só sei quem sou.
Sou o vento, a água, o mundo e as pessoas nele.
Sou inconstante.
Sou o próprio tempo.
Sou as palavras não ditas.
O choro engolido.
O riso contido.
Sou tudo e sou nada.
Apenas um grão de areia na beira da praia.
Vislumbrando o azul sem fim, e as ondas que quebram.
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